Inep 17 de Agosto de 2017

Inep discute contribuições do Pisa durante reunião da Associação Brasileira de Avaliação Educacional

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) foi tema da primeira rodada de mesas redondas da IX Reunião da Avaliação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), na manhã desta quinta-feira, 17, em Salvador. Com o tema "Pisa e sua influência nas políticas públicas educacionais", os especialistas da mesa discutiram como os resultados da iniciativa de avaliação comparada aplicada a estudantes de 15 anos tem determinado a condução das políticas de educação em países da América Latina.

A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, abordou questões de interpretação pedagógica relacionadas à construção e utilização dos resultados para melhoria da educação no Brasil; enquanto Cláudia Matus Correa, da Agência de Calidad de lá Educacion do Chile, falou sobre a experiência chilena. A mesa redonda foi conduzida por Ruben Klein, da Fundação Cesgranrio. Coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no Brasil o Pisa é responsabilidade do Inep, que realiza a avaliação a cada três anos, desde 2000.

Frequentemente usado para a comparar o estágio da educação brasileira em relação a outros países da América Latina, e globalmente, o Pisa vem ganhando cada vez mais evidência. O programa determinou metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado a cada dois anos pelo Inep a partir do desempenho dos estudantes no Saeb e o fluxo escolar revelado pelo Censo Escolar. Apesar de o Brasil ainda não ter alcançado a maioria das metas do 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, Maria Ines Fini defende que ao estabelecê-las o Brasil poderia ser mais arrojado. "Acredito que o aluno brasileiro é capaz de mais, desde que se invista nas políticas educacionais certas. Um exemplo é o resultado do 5º ano do Ensino Fundamental no Ideb, muito próximo da meta", destaca.

Contudo, uma avaliação, isolada, não pode arbitrar sobre a qualidade do ensino. Essa função, para Maria Inês, tem que estar vinculada às propostas curriculares. "Só se deve avaliar aquilo que efetivamente foi ensinado. E essa é a contribuição que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vai nos trazer. Com a nova Base será possível ajustar as referências da avaliação a partir da clareza que ela trará para os currículos acerca daquilo que, minimamente, é direito dos alunos aprenderem em cada etapa da educação básica. Assim, a avaliação poderá cumprir, de fato, sua função, bem como  favorecer uma comparação mais justa", defende.

Para a presidente do Inep, também é inegável a influência do Pisa na condução da educação nacional, embora seus resultados não sejam totalmente compreendidos pela população geral. Nesse sentido, o Inep realizou divulgações técnicas dos últimos resultados, em 2016, para que as realidades reveladas pela avaliação fossem repassadas à população de forma mais assertiva. A próxima aplicação, em 2018, será novamente via computador. Uma novidade proposta pela OCDE é uma avaliação das competências globais para o século 21, além das áreas já avaliadas: Leitura, Matemática e Ciências.