Avaliação Institucional 16 de Janeiro de 2007

Revista do Inep tem 63 anos

Revista do Inep tem 63 anos

Primeiro número da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP), de julho de 1944Se você quiser saber como as Unidades da Federação dividiam as verbas da educação em 1943, leia o primeiro número da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP), de julho de 1944 (foto ao lado). Ali está registrado que as unidades da Federação destinaram 63% dos recursos ao ensino primário, 8% ao ensino superior, 6% ao normal, 5% ao secundário,  5% ao agrícola, 4% ao técnico profissional, 3% à ressocialização de jovens infratores e 6% ao ensino comercial, doméstico e de adultos.

A publicação continua sendo editada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), com periodicidade quadrimestral. "A revista tem 63 anos de existência e acompanhou todas as fases do pensamento educacional brasileiro", observa o editor da RBEP, Jair Santana. Trata-se, portanto, de uma das primeiras revistas de educação no Brasil e que registra o pensamento de educadores como Darcy Ribeiro, Lourenço Filho e Anísio Teixeira.

Hoje, segundo Jair Santana, a RBEP é muito utilizada em cursos de pós-graduação e graduação na área educacional. Está nas bibliotecas de universidades e em instituições públicas de educação. Pesquisadores, alunos e técnicos em educação são os maiores usuários. Interessante conhecer não só as edições atuais, mas também as históricas, como a número 1, em que há citações de José Veríssimo sobre o ano de 1890, quando houve êxodo das crianças que foram estudar fora do país.Edição especial da RBEP, pelos seus 60 anos

Histórico — Lourenço Filho, primeiro presidente do Inep, registra, na primeira edição da RBEP, que em 1932 havia no Brasil 26.213 escolas com 1.979.080 alunos no ensino primário, números que pularam em 1941 para 38.408 escolas (47% de aumento) e 3.113.127 alunos no ensino primário (57% de crescimento). Já o especialista Almeida Júnior fala dos objetivos da Escola Primária Rural. Enquanto isso, Humberto Bastos explica que não se pode falar em alfabetização no Brasil sem lembrar "a ação persistente, imperturbável e intensa dos jesuítas". Segundo ele, a alfabetização dos alagoanos dependeu dos frades carmelitas, que nem sempre estavam dispostos a atender "a todos os que batiam às sólidas portas do convento". E indaga de que serviria um estudo de gramática, de francês ou de latim para uma população? "Ensinava-se de cima para baixo."

Na história da RBEP, um episódio triste: os exemplares do número 134 da revista, de abril/junho de 1974, foram queimados porque incomodavam o regime militar. Um dos artigos falava sobre o livro Como educar sem escola, do padre Ivan Illich, diretor do Centro Intercultural de Documentação do México, que havia sido censurado. Na opinião de Ivan, a escola havia se limitado a reproduzir a desigualdade social.  "Por toda a parte, o aluno é levado a acreditar que só um aumento de produção é capaz de conduzir a uma vida melhor. Deste modo se instala o hábito do consumo dos bens e dos serviços, que nega a expressão individual, que aliena, que leva a reconhecer as classes e as hierarquias impostas pelas instituições", diz o livro em determinado trecho.

Por sorte, alguns exemplares da publicação estavam nas mãos de funcionários do MEC, o que tornou possível futuramente a sua edição. A coleção completa da RBEP pode ser consultada no Centro de Informação e Biblioteca em Educação (Cibec/Inep), no térreo do edifício-sede do MEC, em Brasília. Mais informações pelos telefones (61) 2104-9051, 2104-9058 e 2104-9448.

Susan Faria

Assessoria de Comunicação do MEC