Saeb 22 de Abril de 2003

Nível de leitura e matemática da maioria dos alunos é ¿crítico¿

 

Esta é a conclusão de estudo sobre a quarta série do ensino fundamental

Dos alunos que freqüentam a quarta série do ensino fundamental, 22% não desenvolveram habilidades de leitura compatíveis a esse patamar de escolaridade e 37% aprimoraram algumas competências, mas ainda demonstram desempenho em língua portuguesa bem abaixo do desejado. Esses dois grupos de estudantes, que totalizam 59% da matrícula do final do primeiro ciclo da educação obrigatória, apresentam níveis de rendimento escolar considerados “crítico” ou “muito crítico”.

Grande parte desses alunos não consegue ler um texto simples, como um convite feito pela escola para a festa junina. Além disso, eles não localizam no texto duas informações colocadas de maneira separada e não identificam o tema central de um texto. Em uma questão da prova, muitos estudantes não sabiam que “brava” é o mesmo que “furiosa”, demonstrando desconhecimento de elementos básicos da língua portuguesa.

A conclusão é do estudo “Qualidade da educação: uma nova leitura do desempenho dos estudantes da quarta série do ensino fundamental”, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC). O trabalho teve como base os resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2001, cujas provas de matemática e língua portuguesa são aplicadas a cada dois anos em uma amostra de estudantes de todas as Unidades da Federação.

Os dados revelam que o processo ensino-aprendizagem das crianças se concretiza de forma precária no País. A maioria dos estudantes não aprende a ser leitor para realizar as atividades básicas do cotidiano, inserir-se na complexa sociedade globalizada e exercer plenamente a cidadania.

De acordo com o estudo, 36% dos estudantes estão em um nível considerado “intermediário”, ou seja, conseguem ler textos mais complexos, mas não fazem leitura de gêneros variados, como o jornalístico, e de informações sob forma de tabela. O nível de leitura desse grupo ainda é insuficiente para um aluno que está na quarta série. Apenas 5% podem ser considerados leitores competentes. Eles demonstram habilidades de leitura compatíveis com a série e dominam alguns recursos lingüísticos.

Matemática: O cenário é semelhante na avaliação das habilidades de compreensão matemática, com 52% dos estudantes em situação “crítica” ou “ muito crítica”. Segundo o estudo, 12% dos alunos não conseguem transpor para uma linguagem matemática específica comandos operacionais elementares compatíveis com a quarta série. Outros 40% desenvolvem algumas habilidades elementares de resolução de problemas, mas o nível de aprendizado está bem abaixo do exigido nesta fase da escolarização.

Os alunos demonstram dificuldades em lidar com localização espaço-temporal quando questionados sobre direção (frente/direita/esquerda) e distância (longe/perto/ao lado) e reconhecer o intervalo de tempo decorrido entre o início e o término de um evento. Vários deles não conseguem dividir um número com três algarismos por outro com um dígito e somar valores monetários com casas decimais.

Há um grupo, que representa 41% dos alunos, classificado no nível intermediário. Eles também desenvolveram algumas habilidades de interpretação de problemas, porém insuficientes ao esperado para a quarta série. Apenas 7% interpretam e sabem resolver problemas de forma competente, apresentando as competências compatíveis com a série cursada.

Situação é mais grave no Nordeste

Em relação às regiões do País, a situação é mais grave no Nordeste, onde 33% dos estudantes da quarta série situam-se no nível “muito crítico” em língua portuguesa. Apenas 2% dos alunos da região têm habilidades de leitura compatíveis com a série e obtiveram desempenho considerado “adequado”. No Sul, há o menor índice de alunos no nível “muito crítico”: 13%. O maior percentual de estudantes com desempenho “adequado” está no Sudeste, com 8%.

O Nordeste também apresenta o maior índice de alunos no nível “muito crítico” para a avaliação de matemática. Na região, 20% dos alunos não conseguem realizar comandos operacionais elementares compatíveis com a quarta série.

Por outro lado, o Sul tem o mais baixo percentual (6%) de estudantes nesse patamar. No estágio classificado como “adequado”, o melhor desempenho é dos estudantes do Sudeste: 11% estão nessa faixa. Mesmo com esse desempenho diferenciado, essas regiões ainda estão distantes de possuírem sistemas de ensino de boa qualidade.

Diferenças dentro e fora da escola

Nível de formação dos professores, taxa de distorção idade-série, escolaridade da família. Essas são algumas características, evidenciadas dentro e fora do espaço escolar, que diferenciam os alunos com desempenho “adequado” e os que estão numa situação “muito crítica”.

No grupo de estudantes com desempenho classificado como “adequado”, 16% estão com idade acima à apropriada para a série que cursam; 65% de seus professores já concluíram o curso superior. Por outro lado, 58% dos docentes dos alunos com desempenho “muito crítico” têm, no máximo, oito anos de escolaridade e a taxa de distorção idade-série entre esses estudantes é de 58%.

Quanto à escolaridade da família, entre os alunos que não desenvolveram habilidades mínimas de leitura para a quarta série, 21% das mães nunca estudaram e 34% chegaram , no máximo, ao nível primário de escolarização. Neste grupo, 29% dos alunos declararam trabalhar. Entre os estudantes com desempenho “adequado”, 19% das mães têm o ensino médio e 30% concluíram o ensino superior. Desses alunos, 4% disseram que trabalham.

Na 8ª série, dificuldade é maior em matemática

O Inep está disponibilizando também os dados da oitava série do ensino fundamental e terceira do ensino médio da mesma forma que foi apresentada no estudo da quarta série. De acordo com a análise dos resultados, há, tanto na oitava quanto na terceira série, um maior percentual de estudantes nos estágios “crítico” e “muito crítico” em matemática do que em língua portuguesa.

Na oitava série, 52% dos estudantes estão em situação considerada “crítica” ou “muito crítica” na avaliação das habilidades de compreensão matemática. Esses alunos não conseguem transpor o que é solicitado no enunciado de uma questão para uma linguagem matemática.

Em língua portuguesa, o índice de estudantes no nível “crítico” e “muito crítico” é de 25%, o mais baixo percentual das três séries avaliadas. Esses alunos apresentam algumas habilidades de leitura de textos simples e informativos, mas insuficientes para as exigidas neste patamar de escolarização.

No outro extremo, há apenas 3% dos estudantes no nível classificado como “adequado” em matemática e 10% em leitura. Esses alunos interpretam e constroem gráficos e resolvem problemas com duas incógnitas utilizando símbolos matemáticos. Em língua portuguesa, eles demonstram capacidade para ler textos poéticos de maior complexidade.

Terceira série: Em matemática, 67% dos alunos do último ano da educação básica estão no nível “crítico” ou “muito crítico”. É o mais alto percentual das três séries avaliadas. Eles são capazes de fazer uso de algumas propriedades e características de figuras geométricas planas e resolução de funções logarítmicas e exponenciais, entretanto, estão abaixo do exigido para a terceira série do ensino médio. Apenas 6% estão no estágio “adequado”. Esses estudantes reconhecem e utilizam elementos de geometria analítica, equações polinomiais e desenvolvem operações com números complexos.

Já em língua portuguesa, 42% dos estudantes se localizam nos patamares “crítico” ou “muito crítico”. Eles lêem apenas textos narrativos e informativos simples. No estágio “adequado”, estão 5% dos alunos, que demonstram habilidades de leitura compatíveis com a série cursada e são capazes de ler textos argumentativos mais complexos e dominam recursos lingüísticos-discursivos utilizados na construção de gêneros literários.

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