Saeb 16 de Junho de 2004

Desempenho em leitura na 4ª série inverte tendência de queda

 

Depois de três períodos consecutivos de queda, o desempenho em leitura dos estudantes da 4ª série do ensino fundamental apresenta uma pequena melhoria. Essa é a novidade revelada pelos resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2003, que o Ministério da Educação divulgou hoje, 16. Nas demais séries avaliadas, 8ª série do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio, e na disciplina de matemática, a média de desempenho dos alunos mantém-se estável.

 

De acordo com os dados do Saeb, é a primeira vez, desde 1995, quando o teste passou a ser comparável e aplicado a cada dois anos, que a média de desempenho fica acima da pontuação obtida no teste anterior. Na prova de leitura, em 2003, a média geral dos estudantes da 4ª série do ensino fundamental foi 169,4, numa escala única para todas as séries (4ª e 8ª do Ensino fundamental e 3ª do Ensino médio) que vai até 500 pontos. Nesse patamar de desempenho, os alunos localizam informações explícitas em textos narrativos mais longos e em anúncios de classificados, e reconhecem o tema de um texto informativo mais simples.

Em 1995, a nota média foi 188,3, que caiu para 186,5, em 1997, 170,7, em 1999, e chegou a 165,1, em 2001. O Saeb é realizado por amostragem em todas as unidades da Federação. O último teste foi aplicado em novembro do ano passado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC). Fizeram a prova 300 mil alunos matriculados na 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio de 6.270 escolas das redes públicas e particulares de ensino.

O aumento da média nacional, constatado por procedimentos estatísticos, é reflexo da melhoria dos resultados no Centro-Oeste e Nordeste, principalmente nas redes estaduais. Na primeira região, a média subiu 8,1 pontos, passando de 164,4, em 2001, para 172,5, em 2003. Com esse desempenho, a pontuação ficou acima da obtida em 1999 (170,5). A maior elevação da média, na região, ocorreu no Mato Grosso do Sul: 8,6 pontos. Na segunda região, o aumento foi de 5,3 pontos, subindo de 146,9 para 152,3, sendo que o maior acréscimo ocorreu em Sergipe: 10,4 pontos.

Com a elevação mais forte das médias no Centro-Oeste e Nordeste, ocorreu uma redução nas diferenças regionais. Em 2001, a média do Sudeste era de 31,9 pontos a mais que a do Nordeste e 14,4 acima da registrada no Centro-Oeste. Em 2003, a diferença caiu para 29,4 e 9,2, respectivamente.

Em relação às redes de ensino, os resultados do Saeb mostram que a maior média foi registrada entre os estudantes das escolas federais, com 226,32 pontos. Em seguida estão as particulares (214,69), as estaduais (169,9) e municipais (160,74). A baixa pontuação da rede municipal chama a atenção pois, nesse sistema de ensino, estão concentrados 66% dos alunos matriculados de 1ª a 4ª série do ensino fundamental.

Nas demais séries avaliadas pelo Saeb, o cenário é de estabilidade. A média nacional para a 8ª série foi de 232 na avaliação do ano passado. Nesse patamar, os alunos conseguem identificar, entre vários enunciados, aquele que expressa opinião e localizar o tema de um texto argumentativo. Em 2001, a média foi de 235,2. Os procedimentos estatísticos não permitem afirmar que há diferença de um ano para outro.

Na 3ª série do ensino médio também não ocorreram mudanças significativas que permitem identificar alteração no resultado. A média nacional de 2003 foi 266,7. Nesse estágio, os alunos distinguem um fato de uma opinião em um texto e identificam a finalidade de um texto informativo longo. No Saeb de 2001, a média foi de 262,3 pontos.

Matemática: A média na 4ª série do ensino fundamental passou de 176,3, em 2001, para 177,1, em 2003, no desempenho dos estudantes em matemática, numa escala única para todas as séries (4ª e 8ª do EF e 3ª do EM) que vai até 500 pontos. Os procedimentos estatísticos utilizados em avaliação por amostragem indicam que não há mudança nos resultados. Nesse patamar de desempenho, os alunos reconhecem as partes de um todo em representações gráficas e resolvem problemas do cotidiano envolvendo adições de pequenas quantias de dinheiro.

O desenvolvimento de algumas habilidades, como efetuar as quatro operações aritméticas, é importante para a resolução e aplicação de problemas de média e alta complexidade. Se o estudante não domina esse pré-requisito estará prosseguindo em sua trajetória escolar com déficits que comprometem ainda mais o seu aprendizado. Além disso, saber somar, dividir, multiplicar e subtrair é essencial no próprio cotidiano da vida moderna para, por exemplo, pagar uma conta ou calcular os juros de uma prestação.

Na prova de matemática do Saeb para a 8ª série do ensino fundamental, a média do ano passado foi de 245, um pouco acima dos 243,4 pontos de 2001, o que não possibilita indicar alterações. Com esse desempenho, os estudantes que estão concluindo o ensino fundamental demonstram ser capazes de identificar lado e ângulos de um quadrilátero, resolver equações de primeiro grau e localizar dados em reta numérica.

A mesma situação foi identificada na 3ª série do ensino médio, ou seja, não houve mudanças nos resultados. A média nacional passou de 276,7, em 2001, para 278,7, em 2003. Com essa média, os estudantes utilizam o conceito de progressão aritmética, e interpretam tabelas de dupla entrada de dados.

Diminui índice de alunos com dificuldades em leitura

Dos alunos que freqüentam a 4ª série do ensino fundamental, 55% apresentam níveis de desempenho escolar considerado crítico ou muito crítico em leitura, de acordo com os resultados do Saeb 2003. Na avaliação de 2001, a quantidade de estudantes nesses estágios correspondia a 59% do total. Esses alunos não desenvolveram habilidades de leitura compatíveis a esse patamar de escolaridade e lêem apenas textos simples e curtos.

Já o índice de alunos no nível "intermediário" passou de 36,2% para 39,7%. Nesse estágio, os estudantes estão começando a desenvolver as habilidades de leitura, mas ainda abaixo do exigido para a 4ª série. Eles reconhecem o tema de um texto e os elementos que constroem uma narrativa. Apenas 4,8% (mesmo índice do Saeb de 2001) podem ser considerados leitores competentes e estão no nível adequado. Eles conseguem estabelecer a relação de causa e conseqüência em textos narrativos mais longos e distinguem efeitos de humor mais sutis.

Formação dos professores e uso da biblioteca influenciam desempenho

O Saeb pesquisa fatores associados ao desempenho que ajudam a evidenciar características de uma boa escola. As informações são coletadas por meio de questionários socioeconômicos aplicados a alunos, professores e diretores e depois relacionadas à média de desempenho alcançada pelos estudantes nos testes de leitura e matemática. Os fatores são inter-relacionados, mas a análise de alguns deles ajuda a entender aspectos que contribuem de forma positiva para o aprendizado.

A existência e a utilização efetiva da biblioteca, por exemplo, faz diferença no aprendizado. De acordo com os resultados do Saeb 2003, para a 4ª série do ensino fundamental, em leitura, quando até 25% dos alunos da escola fazem uso da biblioteca, a média de proficiência é de 168 pontos. Quando mais de 75% dos alunos utilizam a biblioteca, regularmente a média sobe para 181 pontos. Quando não existe esse tipo de recurso para os estudantes, o resultado do desempenho é de 153 pontos. Os resultados mostram, ainda, que quando há um responsável pela biblioteca escolar, a média melhora e quando os professores realizam atividades dirigidas nesse ambiente há ganhos significativos na aprendizagem.

Alunos que fazem a pré-escola e que, portanto, começam a ser alfabetizados antes do ensino fundamental também apresentam melhor desempenho na avaliação. Alunos da 4ª série que fizeram a pré-escola atingiram uma média de 171 pontos na avaliação em leitura. Aqueles que não tiveram essa oportunidade atingem têm média de 151.

A reprovação e o abandono são fatores de fluxo que interferem diretamente na aprendizagem. Quem sempre foi aprovado alcançou média de 180 pontos e aqueles que foram reprovados apenas uma vez tiveram uma diferença de desempenho de 34 pontos a menos em leitura. Entre os alunos que nunca abandonaram a escola a média é de 172, contra 149 pontos dos alunos que abandonaram o estudo uma única vez. Os resultados de aprendizagem pioram à medida que o estudante teve mais reprovações ou abandonou a escola por mais de uma vez.

O atraso escolar, conseqüência da reprovação e do abandono, figura como uma das causas do baixo desempenho. Alunos na idade correta obtiveram média de 183 pontos na avaliação, e aqueles que tinham um ano de atraso, 20 pontos a menos na escala. Os dados indicam que a reprovação e abandono devem figurar entre as principais preocupações para os gestores educacionais, pelo impacto que têm na auto-estima do estudante e no seu aproveitamento escolar.

A escolaridade do professor é outro fator que está relacionado ao desempenho dos estudantes. Quando o profissional que está em sala de aula possui formação superior, a média dos seus estudantes é de 172 e, quando a formação é de nível médio cai para 157 pontos. A diferença na escala de desempenho, nesse aspecto, traduz a importância da formação docente no aprendizado das crianças e jovens.

Os dados evidenciam alguns fatores encontrados no âmbito de influência da escola e sobre os quais é possível exercer algum tipo de controle para aumentar a eficácia do seu papel de prover educação. É importante ressaltar que o clima de aula ou mesmo da escola deve funcionar para a promoção do aprendizado. Os professores devem acreditar em seus alunos. A boa expectativa de aprendizado influencia diretamente nos resultados de sucesso escolar. Além disso, a escola deve possuir e guiar-se por um projeto pedagógico.

Saeb será aplicado em todas as escolas

A partir de 2004, o Saeb, aplicado até o ano passado por amostragem, passa a ser realizado em todas as escolas da educação básica. O trabalho será realizado pelo MEC em parceria com Estados, municípios e universidades.
A aplicação do Saeb ampliado será em novembro com a participação de 7,5 milhões de alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental de 169 mil escolas. Para isso, será implementada a Rede Nacional de Avaliação, com a participação de estados e municípios que aderirem ao programa. Em 2005, pretende-se estender a avaliação à 3ª série do ensino médio.

Ao realizar uma avaliação periódica do desempenho dos alunos por escola, o governo pretende valorizar o processo de aprendizagem, promover políticas de eqüidade e incentivar a participação da comunidade escolar. Outra finalidade é estimular a formação de sistemas estaduais e municipais de avaliação autônomos e a associação deles com as instituições de ensino superior para a definição de programas de formação de professores.

Com a avaliação ampliada, os governos poderão identificar as escolas com boa qualidade de aprendizado. O objetivo é que elas sejam parâmetros para os demais estabelecimentos da educação básica. Além dos Estados e municípios, cada escola participante poderá receber o seu resultado pedagógico, que deverá ser divulgado em março de 2005.
A avaliação da educação básica continuará sendo um mecanismo de diagnóstico nacional e, ainda, um instrumento de gestão. As secretarias de educação poderão, a partir dos dados estatísticos e pedagógicos, estabelecer políticas de valorização da qualidade da educação por unidade escolar, levando em conta as diversidades e especificidades.

Censo Escolar mostra evolução educacional

As informações do Censo Escolar, realizado anualmente pelo Inep/MEC em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, permitem verificar a evolução do sistema de ensino brasileiro. Entre 2001 e 2003 - quando foram realizadas as duas últimas avaliações do Saeb - o levantamento mostra que a matrícula cresceu 8% na educação infantil e no ensino médio, 16% na educação de jovens e adultos e 24% na educação especial. Neste período, o índice de professores com curso superior lecionando para turmas de 1ª a 4ª série passou de 27% para 36%.

Nos anos analisados, a taxa de distorção idade/série na 4ª série do ensino fundamental caiu de 39% para 33%. Na 8ª série, baixou de 46% para 41%, e na 3ª série do ensino médio, o índice de atraso escolar, em 2003, foi de 46% contra 51%, em 2001.

Os dados do Censo Escolar também dimensionam as características da infra-estrutura das escolas. Entre 2001 e 2003, o percentual de alunos da 1ª à 4ª série do ensino fundamental que freqüentam escolas públicas com acesso à Internet passou de 10% para 23%, com laboratório de informática, subiu de 10% para 16%, e com biblioteca, de 40% para 42%.

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