Anasem 20 de Setembro de 2016

Entidades e representantes dos cursos de medicina reconhecem evolução na proposta da avaliação

Um auditório lotado e muitas perguntas. A apresentação da Avaliação Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem), realizada na sede do Inep nesta terça-feira, 13, destacou os principais pontos da portaria mais recente que regulamentou a aplicação do exame em 2016 e mostrou o passo a passo das inscrições, que já começam esta semana e são de responsabilidade das Instituições de Ensino Superior (IES). Mas, principalmente, permitiu que os mais de 200 coordenadores dos cursos de medicina presentes voltassem para suas cidades com todas as dúvidas esclarecidas. O Brasil tem hoje 271 cursos de medicina distribuídos em 165 municípios e oferecidos por 233 IES diferentes.

A professora Maria Inês Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pontuou as principais modificações entre a portaria de 1º de abril, que instituiu a Anasem, para a de 15 de agosto deste ano, que regulamentou a avaliação. Os reitores e coordenadores de cursos de medicina, assim como representantes de entidades de classe e estudantes aprovaram o caráter não punitivo da nova proposta e a decisão de não gerar rankings das instituições a partir do resultado. Outro ponto bastante elogiado é o fato de a Anasem não ser mais definidora da entrada, ou não, em um programa de residência médica.

"Estive aqui na primeira reunião e é nítida a evolução da proposta. A Anasem foi inspirada no Teste de Progresso, uma avaliação em que uma série de coisas vinha dando certo. Só que, em sua primeira proposta, criava problemas que inviabilizavam exatamente esse efeito benéfico, caso do ponto de corte para a aprovação, a obrigatoriedade dos resultados serem usados nas provas de residência e a possibilidade de elaboração de rankings. Agora, é como se alguém tivesse pego a Anasem e recuperado sua essência", afirmou o médico Ipojucan Calixto Fraiz, coordenador do curso de medicina da Universidade Positivo, de Curitiba (PR).

Para Fraiz, no momento em que só o aluno e a coordenação recebem o resultado da avaliação, a Anasem permite a melhoria na qualidade dos cursos. "As características da versão inicial são exatamente as que geram cursinhos e mesmo fraudes", defendeu. Essa era uma das preocupações dos alunos, representados por Danilo Amorim, coordenador geral da Direção Executiva dos Estudantes de Medicina (Denem). "O uso da Anasem para entrada nos programas de residência ainda é um fator de preocupação para os estudantes de medicina pois tememos que ela se torne objeto de cursinhos", explicou.

O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Paulo Barone, também presidente da Comissão Nacional de Residência Médica, explicou que os programas são autônomos e não estão impedidos de pedir que o estudante forneça seu nível de acordo com a escala da Anasem, do mesmo jeito que podem utilizar outros indicadores de competência. "Queremos qualificar melhor os estudantes de modo que eles possam compreender seu desempenho em relação a estudantes contemporâneos e da mesma escola. Isso tudo ajuda a parametrizar a aprendizagem e a futura competência dos egressos no exercício profissional", explicou Paulo Barone.

A Anasem também foi considerada um "bom remédio" politico para combater a ideia de um exame de ordem similar ao que é feito pelos advogados. Mas, segundo o representante do Conselho Federal de Medicina (CFM), o conselheiro Lúcio Flávio Gonzaga, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, o Conselho é absolutamente contra um exame de ordem e integralmente a favor de uma avaliação como a Anasem. "Estou saindo positivamente impressionado do lançamento da Anasem. As mudanças no formato estão, de certa forma, possibilitando a efetivação da avaliação. Estamos tranquilos e convencidos de que teremos uma boa avaliação de nosso alunos e escolas", defendeu Gonzaga.

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Assessoria de Comunicação Social