Censo Escolar Censo da educação superior 20 de Abril de 2004

Em 252 cidades, graduação só à noite

            No País, há cursos de graduação em 1.081 municípios. Em 252 deles, a educação superior é ministrada apenas no período noturno, com um total de 120 mil das 2 milhões de matrículas oferecidas. Os dados foram levantados com base nas informações prestadas pelas instituições de ensino ao Censo da Educação Superior. Em Avaré (SP), todos os 2.533 estudantes estão matriculados em cursos que funcionam à noite. É o maior contingente entre as cidades com essa característica.

            A situação também é verificada na rede pública. Dos 703 municípios que têm cursos de graduação mantidos por estabelecimentos federais, estaduais ou municipais, em 85 as aulas são ministradas apenas à noite. Em relação às instituições federais, cujos cursos estão presentes em 262 cidades, há 30 em que a oferta é exclusivamente no noturno.

            As características dos estudantes são semelhantes. A maioria dos alunos trabalha no município de localização da instituição e em cidades vizinhas e tem como única chance para concluir a graduação estudar no período noturno. Além disso, parte significativa dos cursos é voltada para a formação de professores.

            É o caso da  Faculdade de Formação de Professores de Mata Sul, uma instituição municipal que funciona há 34 anos em Palmares (PE) e atende a estudantes de 48 municípios. “Esses alunos trabalham e como as prefeituras de suas cidades oferecem o transporte para o ensino superior apenas no período da noite, a única oportunidade é estudar no noturno”, diz o diretor Flávio Miranda Oliveira.

            Já o município de Avaré, cidade-pólo de uma microrregião de São Paulo e que tem como vocação econômica a área de serviço,  a maioria dos alunos da graduação trabalha em lojas, bancos e cooperativas. “Eles só podem estudar à noite”, argumenta Alexandre Chaddad, diretor da Faculdade Sudoeste Paulista, a maior instituição da cidade. Para ele não há diferença de desempenho em relação aos estudantes do diurno. “Quando a instituição dá o suporte, o aluno rende o mesmo do que o que estuda pela manhã ou à tarde”, afirma.

Assessoria de Comunicação do Inep